A Editoria, no momento atual,
mostra-nos dois fenômenos. O primeiro envolve todos os setores da economia,
pois já estamos vivendo em recessão (talvez a maior dos dois últimos
séculos...). O segundo nos aponta para a revolução digital que continuamente
muda a nossa comunicação.
Diante dessa realidade, podemos, na prática, examinar o mercado dos livros. O Editor tinha controle total sobre todas as etapas: do processo de produção a aquele distribuidor. Até mesmo o processo criativo vinha influenciado pela distribuição.
Hoje, não funciona mais assim. A aceleração tecnológica é tão violenta que nos deixa pouquíssimo tempo à disposição. Podemos imaginar que o livro, em uma visão futurista, será mais “vivido” que lido. Mudar-se-á o modo de veicular seus conteúdos, se modificará o sistema de distribuição e de preços, se transformará o modo de criar por parte dos escritores. Uma verdadeira revolução em andamento;
Na Itália, a Mondadori, editora com 28% do mercado e primeira, entre as concorrentes, baixou dos três milhões de copias vendidas, nos anos anteriores, entre os dez best-sellers, a um milhão e seiscentos, do ano passado. Já no setor dos e-books, as vendas em 2010 atingiram treze mil exemplares, enquanto que, no ano passado, pularam para duzentos e setenta mil!
O que se prevê? Que desaparecerá, antes de mais nada, o “mega-seller”, ou seja, o livro comprado como “tendência” e que acaba não sendo lido (o qual nos é apresentado com as melhores estratégias de marketing, geralmente) Para depois, lentamente, despencarem as vendas dos livros em papel, com queda que pode atingir até oito por cento ao mês...
O que torna forte, a ação do leitor (e faz declinar aquela do editor) é o livre acesso às informações. Esta procura pessoal provocará descobertas verídicas em torno dos dados: antes, a força do editor vinha demonstrada na condução da venda, que vinha embasada em apelos publicitários e ações promocionais. Com o digital, o leitor assumiu o comando: é ele quem fala à comunidade, que escolhe o que, o quando, por quanto deve comprar uma obra.
Aqueles mais otimistas dirão que é um passo importante, que a esfera do conhecimento humano deve ser determinante para o consolidamento de outra esfera pública democrática e que, juntas, nos farão assistir a um crescimento real de uma nação ou país.
Mas é justamente aí que reside o perigo: estaremos nos encaminhando a um período onde o desenvolvimento passe obrigatoriamente pela valorização do saber, das culturas, onde todos possam guiar mudanças sustentáveis?
Li, nesta semana, um artigo do Corriere della Sera, feito pelo jornalista Pietro Citati, intitulado “Dan Brown, Coelho, Faletti: best-sellers que não devem ser lidos” e que me despertou curiosidade. O autor diz que são os escritores que passam qualidade aos leitores, como uma herança. Poucos anos atrás ainda líamos “impávidos e aventurosos” as dificuldades de conteúdo e de estilo de cada exemplar consistente que nos chegasse às mãos. Divertíamo-nos com enigmas e fantasias, extasiados com alusões, culturas diferentes de nossas paisagens remotas...
Hoje, a leitura se tornou uma espécie de orgia, onde o que conta é a vulgaridade da imaginação, a banalidade da trama, a mediocridade do estilo. E que é bem melhor não ler Dan Brown, Giorgio Faletti ou Paulo Coelho (concordo com ele totalmente!). Os italianos ainda não leram sequer Dickens e Balzac. Também Kafka, Tolstoj e Borges estão completamente esquecidos, complementa o autor.
Teço reflexões sobre minhas leituras, termino mais um trabalho para apresentar ao meu tutor do curso “Pesquisa de Mercado” da FGV, todos os pensamentos se encaixam, quando me deparo com a frase: “sem cultura, não há desenvolvimento.”.
Profunda verdade.
Que seleção saberá fazer o leitor do futuro? Impor à massa, valores decadentes e superficiais? Ou abrir caminhos para a sabedoria e o crescimento global?
A capacidade de imaginar e criar o amanham são urgentes e não há tempo a perder. A hora, de colocar a real função de desenvolvimento da cultura ao centro dos governos, chegou.
Pensando bem, como afirma a crônica do “Il Sole 24 Ore”, maior jornal de economia, a função da cultura deve estar no centro de um inteiro governo. Significa que a estratégia e as consequentes escolhas operativas devem ser condivididas pelos Ministérios da Cultura com aquele do Desenvolvimento, do Bem-Estar, da Instrução e da Pesquisa, do Exterior, do Ambiente e do Turismo, com o Chefe do Governo.
E pensar na importância da ação pública unindo todos os níveis de educação, do ensino fundamental a universidade, do estudo da arte a historia, das práticas criativas à cultura científica, valores de base que contribuem em formar cidadãos e consumidores dotados de abertura mental e espírito crítico.
Diante dessa realidade, podemos, na prática, examinar o mercado dos livros. O Editor tinha controle total sobre todas as etapas: do processo de produção a aquele distribuidor. Até mesmo o processo criativo vinha influenciado pela distribuição.
Hoje, não funciona mais assim. A aceleração tecnológica é tão violenta que nos deixa pouquíssimo tempo à disposição. Podemos imaginar que o livro, em uma visão futurista, será mais “vivido” que lido. Mudar-se-á o modo de veicular seus conteúdos, se modificará o sistema de distribuição e de preços, se transformará o modo de criar por parte dos escritores. Uma verdadeira revolução em andamento;
Na Itália, a Mondadori, editora com 28% do mercado e primeira, entre as concorrentes, baixou dos três milhões de copias vendidas, nos anos anteriores, entre os dez best-sellers, a um milhão e seiscentos, do ano passado. Já no setor dos e-books, as vendas em 2010 atingiram treze mil exemplares, enquanto que, no ano passado, pularam para duzentos e setenta mil!
O que se prevê? Que desaparecerá, antes de mais nada, o “mega-seller”, ou seja, o livro comprado como “tendência” e que acaba não sendo lido (o qual nos é apresentado com as melhores estratégias de marketing, geralmente) Para depois, lentamente, despencarem as vendas dos livros em papel, com queda que pode atingir até oito por cento ao mês...
O que torna forte, a ação do leitor (e faz declinar aquela do editor) é o livre acesso às informações. Esta procura pessoal provocará descobertas verídicas em torno dos dados: antes, a força do editor vinha demonstrada na condução da venda, que vinha embasada em apelos publicitários e ações promocionais. Com o digital, o leitor assumiu o comando: é ele quem fala à comunidade, que escolhe o que, o quando, por quanto deve comprar uma obra.
Aqueles mais otimistas dirão que é um passo importante, que a esfera do conhecimento humano deve ser determinante para o consolidamento de outra esfera pública democrática e que, juntas, nos farão assistir a um crescimento real de uma nação ou país.
Mas é justamente aí que reside o perigo: estaremos nos encaminhando a um período onde o desenvolvimento passe obrigatoriamente pela valorização do saber, das culturas, onde todos possam guiar mudanças sustentáveis?
Li, nesta semana, um artigo do Corriere della Sera, feito pelo jornalista Pietro Citati, intitulado “Dan Brown, Coelho, Faletti: best-sellers que não devem ser lidos” e que me despertou curiosidade. O autor diz que são os escritores que passam qualidade aos leitores, como uma herança. Poucos anos atrás ainda líamos “impávidos e aventurosos” as dificuldades de conteúdo e de estilo de cada exemplar consistente que nos chegasse às mãos. Divertíamo-nos com enigmas e fantasias, extasiados com alusões, culturas diferentes de nossas paisagens remotas...
Hoje, a leitura se tornou uma espécie de orgia, onde o que conta é a vulgaridade da imaginação, a banalidade da trama, a mediocridade do estilo. E que é bem melhor não ler Dan Brown, Giorgio Faletti ou Paulo Coelho (concordo com ele totalmente!). Os italianos ainda não leram sequer Dickens e Balzac. Também Kafka, Tolstoj e Borges estão completamente esquecidos, complementa o autor.
Teço reflexões sobre minhas leituras, termino mais um trabalho para apresentar ao meu tutor do curso “Pesquisa de Mercado” da FGV, todos os pensamentos se encaixam, quando me deparo com a frase: “sem cultura, não há desenvolvimento.”.
Profunda verdade.
Que seleção saberá fazer o leitor do futuro? Impor à massa, valores decadentes e superficiais? Ou abrir caminhos para a sabedoria e o crescimento global?
A capacidade de imaginar e criar o amanham são urgentes e não há tempo a perder. A hora, de colocar a real função de desenvolvimento da cultura ao centro dos governos, chegou.
Pensando bem, como afirma a crônica do “Il Sole 24 Ore”, maior jornal de economia, a função da cultura deve estar no centro de um inteiro governo. Significa que a estratégia e as consequentes escolhas operativas devem ser condivididas pelos Ministérios da Cultura com aquele do Desenvolvimento, do Bem-Estar, da Instrução e da Pesquisa, do Exterior, do Ambiente e do Turismo, com o Chefe do Governo.
E pensar na importância da ação pública unindo todos os níveis de educação, do ensino fundamental a universidade, do estudo da arte a historia, das práticas criativas à cultura científica, valores de base que contribuem em formar cidadãos e consumidores dotados de abertura mental e espírito crítico.
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